É interessante como o poder da informação tem um aspecto e impacto totalmente atemporal na comunicação humana (agradeço desde já à Carol, por ter utilizado este termo tão rico em uma discussão comigo, sobre música instrumental, que tivemos na semana passada). Digo isto, pois uma boa dose de informação, tendo ela um dia ou um ano de vida, não perde seu efeito colateral jamais. Um texto, uma foto, um filme. Material cultural de qualidade não perde o valor, e é exatamente isto que uma edição do Zero Hora, datada do ano de 1999, provou de uma vez por todas.

No meio de um churrasco informal (com mais carne do que cerveja), precisávamos usar a velha técnica de enrolar jornais na garrafa, a fim de estocar o papel no meio do carvão. Embaixo da pia havia uma pilha amarelada (e um pouco fedorenta) de velhos jornais. Separamos umas quatro ou cinco páginas, e começamos a enrolá-las em torno da garrafa.

O churras rolou, todos comeram (pouca carne sobrou), e eis que vejo Diogo (notório baterista da banda Descartes), lendo uma parte do jornal. Me interessei por aquilo, e me pus próximo a ele. Começamos a ler minuciosamente o jornal, até notarmos um pequeno quadro, na parte inferior da página, falando sobre “ Os Argonautas de Porto Alegre”.

A informação que nos foi dada por aquele texto, era a de que uma banda instrumental de Surf Music porto alegrense daquela época, a partir da visualização de uma das obras clássicas   Tarantinescas, “Pulp Fiction”, resolveu incorporar elementos de música brasileira, em um som totalmente gringo como o Surf Music.

Os caras falavam na matéria que, logo após o diálogo inicial entre os dois pilantras no café, e a entrada triunfal da clássica Missirlou de Dick Dale, sabiam o que queriam fazer: Surf Music, porém de um jeito bem brasileiro.

O jeito era ir atrás dessa mistura, e ver no que ela dava.

Com curiosidade e informação unidas no córtex cerebral, o Google foi o mediador entre o contato que tive com esta fenomenal banda, que em solo gaúcho, deu vida mais uma vez e som à uma obra tão foda como Pulp Fiction.

 

Abaixo seguem informações mais precisas e apuradas sobre a banda, que infelizmente não existe mais, e um vídeo de uma das faixas do EP.

 

Mas o que ainda existe, é o som e informação que foram semeados há treze anos atrás, e hoje podem ser conferidos e absorvidos por nós humanos, seres temporais, com acesso à informações qualitativas e atemporais.

INFO ARGONAUTAS

Os Argonautas – “Os Argonautas” (1999 – Independente / Gens Gens-006)

1. Soñadora
(Marcelo Moreira)

2. O Escafandrista do Asfalto
(Régis Sam / Gustavo Dreher)

3. Milonda Argonautillus
(Marcelo Moreira) – [música incidental: “Pipeline” (Spickard / Carman)]

4. Canalhas
(Régis Sam)

5. Space Invaders
(Régis Sam / Gustavo Dreher)

6. Pájaro
(Marcelo Moreira)

7. O Baião
(Marcelo Moreira) – [música incidental: “Asa Branca” (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira)]

8. Luciana
(Marcelo Moreira / Gustavo Dreher) – [samplers: vários trechos dos Demônios da Garoa]

9. Carmen
(Marcelo Moreira)

10. Vaquejada
(Gustavo Dreher)

11. Argo
(Régis Sam)

12. Maré Vermelha
(Marcelo Moreira)

13. Bolerón de los Borrachos
(Marcelo Moreira)

14. Rumo à Cólquida
(Régis Sam / Gustavo Dreher)

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